quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

"Desafios"

"DESAFIOS"
Eu não tenho medo
Nem tampouco amargura
Sigo com minha alma pura
Em busca do que pode ser eu mesmo
Eu não tenho medo
Sei que são muitos os desafios
Que a sorte (ou a falta dela) caminham por um fio
Mas que prevalece ao meu lado quando planto correto
Ando pelo caminho reto
E não desvio nas esquinas sinistras de uma nova ideologia
Que por meio da fantasia
Da mentira, da alegoria
Engana tantos que precisam, como eu, de uma simples porta aberta
Mas uma coisa é (além) de certa
Eu hei de ser contemplado em minha luta
Meu esforço pessoal, a labuta
Para a qual não permito permuta
Sou fiel a objetivos constantes
E não obstante
Não me dou por vencido...
Cansado, enfermo e até adoecido
Eu escolho por me manter na guerra
Até que me engula a terra
E assim talvez me sinta perdido
Com vermes corroendo minha carne e minha pele
Vermes que com sofreguidão a gente repele
E ressuscita da mais profunda sepultura
Sai do ocaso do casulo e retoma as alturas
Como a águia que troca suas penas e destrói o próprio bico
Tudo isso do alto de um pico
D'onde ela há de voltar a voar
E eu seguirei com ela
Asas abertas sem nenhuma sequela
Vou ao encontro dos sonhos que um dia não tive
Pois agora me sinto livre
...
As correntes eu deixei no altar
No qual quiseram me acorrentar
E me induzir a crer em maldição
Mas eu sou bênção, aprendiz de campeão...
E o ringue é pouco para mim!
RODRIGO AUGUSTO FIEDLER

"O que é vitória?"

Afinal, o que é a vitória?
Vitória e conquistas, por um breve momento, parecem ser quase a mesma coisa - mas não são.
Vitória é o meio e não o fim, enquanto as conquistas, estas sim, são o resultado, a consequência.
Com a vitória, relacionam-se valores positivos: janelas abertas, despertadores incisivos, banhos bem tomados, barbas feitas, intelecto alinhado, concentração, foco e um olhar peculiar para a meta e o alvo.
Já com a conquista, os valores, por mais simbióticos que sejam, relacionam-se com a capacidade de disparar as flechas certas contra o alvo a ser atingido. Um homem que não seja vitorioso na sua real essência, não tem arcos, nem flechas, nem alvos e nem metas.
Acredito que o ideal, o quase perfeito, é quando um humano, demasiadamente humano, recobra de si o perfil de um vitorioso, vai ao ferreiro, forja no aço sua espada, suas flechas e dá um "passo a mais": sai por detrás das fronteiras, abandona as casamatas e se põe frente a frente com o fronte. Ali, mesmo sem atingir - ainda - a conquista, ele já é vencedor, pois enquanto ele supera o medo do desconhecido, outros milhares de guerreiros continuam entorpecidos, esperando a corneta tocar...
E, às vezes, ela toca tarde e o inimigo (quiçá o adversário) já, agindo no antes, o toma como prisioneiro. Daí, meus amigos, nem vitória e nem conquista. O que sobram são sonhos e ideais, envelhecidos num papel embebido em lágrimas que não serve nem para secar o rosto!
Rodrigo Augusto Fiedler do Prado

"O Poder Superior"

"O Poder Superior"
(Ou a prática de uma crença que nos devolvesse à sanidade)
Um dia, fora descoberta uma maneira de se encontrar consigo mesmo e, nesta prática, havia a necessidade de rendições, admissões - admissão de impotência e era sugerido que se parasse de lutar. Contra o mundo, contra os males, os vícios, as correntes, as escravidões e contra si mesmo. Nascera um tempo de paz, de serenidade. Um tempo de sobriedade, de resignação, de aceitação e, evidentemente, de FÉ!
Mas que fé? Fé em quê? Em quem?
Nós não acreditávamos em mais nada, o nosso Deus, assim como o de Nietzsche, em Ecce Homo, havia morrido. E quem teria sido o assassino de Deus senão o nosso próprio Ego? O egocentrismo patológico, o antropocentrismo doente, ligado a uma tendência Tânatos de prazeres destrutivos não nos dava espaço para que, além de nós, Reis infantilizados, birrentos e vaidosos, existisse mais nada. Por um momento, para alguns muito tempo, para outros uma eternidade, era impossível conceber uma relação, por mais tola que fosse, de Criador e criatura. Não éramos mais filhos de nada que não fosse a nossa Adicção. As drogas, o álcool, os jogos, o sexo, a promiscuidade, a mentira, os crimes, os comportamentos obsessivos e compulsivos, o Desejo, o narcisismo e o hedonismo, a busca desenfreada por prazeres fugazes e sempre, diuturnamente autodestrutivos, não nos permitia uma experiência espiritual. Mas nós nos recuperamos. Demos o Primeiro Passo, foi-nos falado sobre Serenidade, Aceitação, Coragem e Sabedoria. Associado a estes valores, meio que subjetivamente, voltamos, depois de perambularmos pelos diversos vales das sombras, a ouvir falar em Deus.
E, afinal, o que ou quem era este Deus?
Foi-nos sugerido que, o mais desnecessário de tudo, era um "nome" para este Deus. Havia premissas: que fosse bondoso, amantíssimo, cuidadoso e maior do que nós - que, de fato e na prática, diminuíssemos a nós mesmos para que Ele, totalmente abstido de religiões ou religiosidade, pudesse crescer. Esse era o paradigma: não éramos mais deuses, éramos então, humanos, demasiadamente humanos e, para que compreendêssemos esta verdade, tínhamos de vir a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos, poderia devolver-nos à sanidade.
Não estaríamos mais sozinhos, muito menos desamparados. Nascera uma visão de esperança e, desta esperança, tudo que se podia entender é que, com a prática diária desta nova forma de crença, por mais diminuta que fosse, uma pequenina semente de Fé, voltasse a brotar em nossos eus tão frágeis. Nada mais estaria perdido. Repito, não estaríamos mais sozinhos e mais, haveríamos de ser amados, guiados e cuidados. Não éramos mais o topo do mundo e nem o centro do universo. Éramos pequenos e sobre nós, nascera uma força inexplicável, sem doutrinas, sem dogmas, sem rituais, sem templos, sem dízimos, sem pecados ou julgamentos, sem Livros Sagrados e sempre, sem nome.
Estávamos sendo apresentados a uma outra práxis transcendental: caía a ideia de religião e vinha à tona uma grande e libertadora ideia - a de Espiritualidade. Podíamos ter Deus, ou não, podíamos ter deuses, ou não... a única sugestão que não "devia" ser abolida era que, maior do que nós, havia algo potente, imortal e capaz, ressaltando, de nos devolver à sanidade.
Com Ele, abandonamos a loucura, matamos as manchas de nossos egos e, com isso, estávamos aptos para algo maior: decidir fazer entregas. Estávamos sendo convidados a entregar as nossas vidas e nossas vontades aos cuidados deste Deus sem nome, ou com muitos nomes. Tudo que notamos, sentimos e experimentamos é que, com esta vivência real em nossas vidas, agora novas, tudo havia ficado mais leve. As responsabilidades foram divididas: ficamos com nossa parte, o compromisso com a prática e, os resultados, não eram mais problemas nossos. Eram dele!
Este é o Poder Superior que nasceu em nós, de dentro para fora, que veio definitivamente para nos acolher, nos transformar, tomar nossos defeitos de caráter e, com o tempo, fazer de nós, instrumentos de sua subjetiva existência.
Só por hoje!

"Autopiedade ou Tristeza?"

"Autopiedade ou Tristeza"
Por amostragem, talvez estatísticas, é muito provável que a Autopiedade e a Tristeza, ou Melancolia, tanto faz, sejam confundidas entre si e que, por conta disso, hajam julgamentos condenados a rotular àqueles que, por instantes, têm por mil e um motivos, se afastado da alegria.
O ponto chave deste paradoxo, ou ainda simbiose de sentimentos é a classificação deles quanto (e frente) ao comportamento dos indivíduos que passam por eles. É necessário ressaltar que alegria não é Felicidade e que a tristeza não mora num aspecto infeliz. Ou seja, posso estar triste, muito triste, e ser um homem muito feliz. Vale para o inverso também. Além desta condição ambígua e antagônica, pode-se perceber que a Autopiedade é o escape, a fuga dos que se encontram melancólicos e que a Euforia, muitas vezes a arrogância, são os resultados negativos de um excesso de alegria, que, ao meu ver, quase sempre está ligado a um comportamento trópico regado às mais diversas fantasias e à falta de condições de se compreender com certa frieza, o exato espectro do momento, do meio e da relação do meu eu com o outro.
Embaralhando as palavras e tentando pontuá-las, na minha autoanálise profunda, vejo que estou demasiadamente triste com situações sinistras que vêm cercando meu entorno, porém não tenho nenhum tipo de comiseração de mim mesmo, logo, a Autopiedade não mais habita em mim. Tanto não habita, que sou capaz de viver um momento de extrema tristeza, egressa de um colapso gigantesco do meu momento de vida que, por hora, enfrenta vários dissabores (ligados a desemprego, enfermidades clínicas, enfermidades mentais, baixa autoestima e uma enorme dificuldade de reger, com maestria, meus principais relacionamentos), e, ainda, dar graças e constatar que, embora os esquadros sejam desfavoráveis, sou um Homem muito feliz.
Por conseguinte, o ônus da minha melancolia que quase esbarra na depressão, não pode e nem deve ser rotulado como uma fragilidade de caráter e, se dela parte um bônus, também em nada se relaciona com a carência de pena ou compaixão alheias. Decreto, aqui, a morte por completo, de uma vigorosa Autopiedade que carreguei no meu DNA por mais da metade da minha vida.
Em suma, estou triste, muito triste, não consigo, agora, neste momento, com apenas minhas forças, minha razão ou minha boa vontade, reverter este quadro: hei de viver com ele, esperar a poeira baixar, manter-me concentrado nos mistérios de Deus e, como Jó, o personagem da Bíblia, permanecer, até o fim, dando graças e enaltecendo a Felicidade que é, e sempre foi, a minha marca registrada.
Tristezas são apenas núvens carregadas e cinzentas que escondem o Sol. Logo menos elas se precipitam numa chuva torrencial de lágrimas e, quando conseguirmos secar os olhos, a alegria, brilho do Astro Rei, há de voltar ao seu posto principal: o trono de reinado da minha personalidade e do bom lado produtivo do meu ego.
Lembrando o Rei Salomão no livro da sabedoria, ele elucida que, enquanto a tolice mora na casa de festa, a sabedoria mora, exatamente, na casa do luto. Complementando, o fato é que não há mal nenhum em estar triste, pois, é exatamente no núcleo deste momento que Deus nos dá a melhor chance de refletir e descobrir desígnios e características do Universo.
Rodrigo Augusto Fiedler do Prado
Novembro de 2019

"Everybody Hurts"

Todo mundo sofre (se magoa)"
(Everybody Hurts - REM)
Lembro de um tempo em que só havia sorrisos
Risadas fúteis, muitas vezes
Gargalhadas que desatavam os nós da garganta que não eram simples nós de gravata: eram, diminutas forcas que com sua maldade, passo a passo nos levavam a prematura morte espiritual.
Sofremos, choramos, recuamos para longe do sol e nos escondemos num estranho casulo interior que não nos permite ver além das nossas núvens de culpas e ressentimentos.
Sofremos, choramos, quase sempre
Porque perdemos
O gosto do brilho e a coragem necessária para atingir-se a vitória
Mudar nossa história e escrever um final feliz...
Sofremos, choramos, morremos
Mesmo vivos, a carga pesada de uma vida que não merece ser vivida, pelo menos não assim e que
não tem meio, começo e nem fim,
Não tem parada, refugo, recuo
Nada
Vida vazia controlada por Prozac e diazepam
Felicidade farmacológica
Abstida de lógica
Um espaço no qual não moram verdades
Onde imperam as fantasias
Um espaço no qual tudo é saudade
E que felicidade é hipocrisia
Sofremos, choramos, morremos
Ressuscitamos
Nem mais e nem menos
Uma chance de lavar o rosto em água corrente
Perceber-se ser gente
Seguir em frente
E não olhar para traz
Rodrigo Augusto Fiedler do Prado
Novembro de 2019

"Eles"

"Eles"
Eles me queriam "minion"
Mas eu era Resistência
Me queriam pentecostal
Mas eu era Ecumênico
Me queriam conteudista
Mas eu era Dialético
Me queriam são
Mas eu estava enfermo
Me queriam calado, mudo
Mas eu sempre tinha algo a dizer
Eles queriam meu dízimo
Mas eu ofertava aulas gratuitas
Eles me queriam capacho
Mas eu era um par de botas
Enfim...
Eles não me quiseram mais!
Rodrigo Augusto Fiedler

"O abraço"

"O ABRAÇO"
Num mundo onde jaz a morte
Me vejo um homem sem sorte
Se abro meus braços
Confundido sou com palhaços
O abraço não é compreendido
E os que elee vêm é um assédio
Moral, sexual, fanático
Que desmorona o encontro empático
Outrora simpático
Mergulhado num tédio demência
Às voltas com uma inércia e falência
Total
Das relações
Humanas
Hipótese infame
Que há quem, ou muitos que não reclamem
Que acham que o certo é o silêncio
A boca calada
Ou que, aberta fosse uma latrina cagada
Daqueles tantos muitos que não tem opinião
Mas eu retomo o ato nobre do abraço
E mesmo que eu seja o Clown dos malabares
Hei de ofertar meus ambos braços
Minha sombra
Meu colo
Meu acolhimento
E respeitar bem quietinho um momento, que às vezes
Mil palavras soltas na amplidão
Mesmo que um pedido de socorro
Ou de oração
Seja desafiado pelos pulhas que dizem que ouvem,
Mas apenas respondem: Não!
Rodrigo Augusto Fiedler