segunda-feira, 13 de maio de 2019

"Eu sou poeta"

"Eu sou poeta"
Eu sou poeta
Contra tudo e contra todos
Transformo cenas cinzentas do cotidiano em versos
Aliás, é em versos que transformo minha vida
Minha lida
Minha parte sã
E minha parte ferida
Eu sou poeta
Eu sou poeta
Porque em meio ao caos e o adverso
Ainda me sobram os versos
Para que eu possa gritar muito mais que um socorro
Se eu não escrever eu morro
Eu sou poeta
Eu sou poeta
E adoraria ser reconhecido como tal
Mas os julgamentos vão e estão acima do bem e do mal
Existe quem pense que é um devaneio egóico
Embora seja um ato quase heróico
Transformar psicocenas em palavras
Eu sou poeta
Eu sou poeta
E tento divulgar minha arte tão simplória
Não tenho a pretensão de entrar para história
Mas sim de mudá-la
De com minhas palavras reformulá-la
E quem sabe plantar outro fim
...
Eu sou "apenas" um poeta apaixonado pela língua e pela linguagem
Quero muito que estes recursos atinjam vantagem
E mudem, ao menos, o prisma de quem lê meus versos
Que nem sempre estão certos
...
Mas na poesia não há certo ou errado
Existe apenas um louco que não fica calado
E que expõe de bem perto
Através da mítica do verso
Uma realidade muitas vezes sem cor alguma
Eu sou poeta!
Rodrigo Augusto Fiedler

"Mais Valia"

"Mais Valia"
Tudo que vejo às seis da manhã
É uma manada entorpecida de um sono mal dormido
Apressada de um forma tão vã
Correndo só para poder dizer ter cumprido
Com o horário capitalista
Com um hábito que beira o moralista
Que é se permitir à "mais valia"
Ser explorado de forma bem fria
E agora, sem direitos trabalhistas
Que ao menos poderia ser um alento
Para, num melhor momento
Mesmo que por um instante, a vida melhorar...
E deu-se fim à aposentadoria
É, de novo, a implementação da "mais valia"
Exige-se que se trabalhe uma vida inteira
É da loucura esquizofrênica do capital, só a beira
Tira-se o direito do dominó gostoso
Do fim de tarde do coitado do idoso
Porque ele tem de trabalhar...
E quem legisla em causa própria se exime
Simplesmente ficou de fora
Somente alguns anos de mamata
Pra logo chegar a hora
De poder se mandar
Pra Guaratiba, Angra dos Reis ou Guarujá
E de lá poder de sua lancha possante
Observar este povo ignorante
Que nunca mais
Há de parar de trabalhar!
Rodrigo Augusto Fiedler

domingo, 12 de maio de 2019

"Metrô"

"Metrô"
Uns vem, outros vão
Uns ao sul, outros ao norte
Muitos pro centro
O que importa é estar dentro
Do famigerado vagão
Sempre lotado, isso a qualquer hora
Na hora de ir, ou na hora de ir embora
Milhares de pessoas apressadas
Quase todas esmagadas
No famigerado vagão
Existem bancos reservados, especiais
Para pessoas em momentos ditos não tão normais
Idosos, grávidas, deficientes
Entre outros tipos de gente carente
Apenas de um assento
No famigerado vagão
Agora tocam música clássica, erudita
Que soa bem estranha, esquisita
O povo não tem este hábito
De um confronto mágico e impávido
Com uma cultura especial
No famigerado vagão
E ainda se tem as plataformas
Todas elas sem forma
Lotadas de pessoas em busca do espaço, um quinhão
Esperam bem na hora "do rush", presos na estação
O famigerado vagão
Rodrigo Augusto Fiedler

sábado, 11 de maio de 2019

"Mama" - uma reflexão sobre o aborto! de Phil Collins

Mama
(Phil Collins - Genesis)

Eu não o posso ver você, mamãe
Mas eu posso esperar arduamente
Oh, para tocar e sentir você, mamãe
Eu não consigo me manter longe

No calor e no vapor da cidade
Isso me pegou correndo e eu não consigo frear
Então diga que você me ajudará, mamãe
Porque isso está ficando tão difícil, oh

Agora eu não o posso te guardar, mamãe
Mas eu sei que você sempre está lá
Você escuta, você me ensina, mamãe
E eu sei que no fundo você se importa

Então deite, deite aqui do meu lado
Oh, você não vai a lugar algum
Eu não irei te machucar, mamãe
Mas isso está ficando tão difícil, oh!

Você não pode me ver,mama?
Mama,mama,mama por favor
Você não sente meu coração?

Você não sente meu coração? oh,
Agora me escute, mamãe
Mamãe, mamãe
Você está levando embora minha última chance

Não a largue
Você não sente meu coração?

Está quente, tão quente para mim, mamãe
Mas eu posso esperar arduamente
Meus olhos eles estão queimando, mamãe
E eu sinto meu corpo se mexendo

Não pare, não me pare, mamãe
Oh, faça a dor, faça a dor ir embora
Não, eu não irei te machucar, mamãe
Mas isso está ficando tão difícil, oh!

Agora eu não posso te ver, mamãe
Mas eu sei que você sempre está lá
Você insulta, você me aborrece , mamãe
Mas eu nunca, nunca posso ir embora

É o calor e o vapor da cidade
Oh, isso me pegou correndo e eu não consigo frear
Então fique, não me deixe mamãe
Porque isso está ficando tão difícil, oh!

Não vá, não, não, não vá
Não, não, não, não vá
Não vá
Não, não não, não vá

"Dia das mães"

"Dia das Mães"
Dia das mães é todo dia
Não se resume num domingo qualquer
São tristezas, mágoas, felicitações e alegrias
Que fazem dela a melhor mulher
Quem ainda a tem por perto, deve agradecer a Deus e ao destino
Porque, mesmo que não seja certo, pra elas somos sempre um menino
Parabéns às mães de hoje, de ontem e de toda eternidade
Mãe que vai embora, deixa uma imensa saudade
Para alguns fica um vazio
Não há quem acalente num dia mais frio
E de fato o que fica é a devoção
O agradecimento, que pode ser em forma de oração
Mas, se der tempo, dê um beijo, um presente, um abraço
Não permita jamais que este laço
Se rompa como um dia foi rompido
O sangrento e comprido
Cordão umbilical!
Estamos ligados pela alma!
Rodrigo Augusto Fiedler
Homenagem a todas as mães que conheço
De vocês, mulheres lutadoras que eu nunca me esqueço
Uso versos pra dizer que agradeço
A cada uma que, mesmo "in memorian"
Nos mantém protegidos no berço
E num colo que nunca há de findar!
PARABÉNS

"Novo"

“Novo”
Idas e vindas
Encontros
Desencontros e partidas
Chegadas
... a chegada!
Vida nova
Nova existência e ressurreição
A morte morreu com a vida de ontem
E a vida nasceu com o dia de amanhã
Puro encontro do hoje com o futuro
De mim comigo mesmo
O espelho quebrou
E ficou a imagem
que jamais tinha visto

Não me lembro da minha cara de menino!.

Rodrigo Augusto Fiedler

"Duo"

"Duo"
São corpos que transcendem a carne
Que violam o duo
Que se fazem um uno
Que se misturam num movimento quase dançante
Um vulcão do Inferno de Dante
E que caem semimortos na cama já toda amarrotada
Única espectadora, testemunha calada
De até onde pode chegar a paixão
...
No limiar além tênue da razão
Que não é pura
Ou da emoção
Que muitas vezes não dura
Mais do que um simples instante
Um encontro que hoje, não mais precisa ser entre amantes...
São só dois corpos
Que por um momento
Pairados pelo poder até do vento
Resolveram cingir-se em um só!

Rodrigo Augusto Fiedler