terça-feira, 9 de abril de 2019

"Abraço"

"Abraço"

O que era para seu um laço
Um encontro da alma com o coração
É por muitos considerado uma afronta
Uma forma de invasão
Não se vê o "poder terapêutico" do abraço
Fazem dele um estardalhaço
Como se que em estende os braços
Buscasse algo mais do que retribuir com atenção
O que lhe foi dado de graça

Não há mais graça no abraço
E tudo que eu faça é mais resistente do que o aço
Que blinda cabeças impuras
Mentes obscuras
Cheias de sacanagens e fantasias
Totalmente abstidas de muitas alegrias
Mentes doentes que talvez voltassem a sorrir
Se ao invés de quem abraça punir
Recebesse de ombros cálidos um forte abraço
Envolvente
Resiliente
Amigável, com cheiro e temperatura de gente

Por mais dons humanos
Menos homens insanos
Mais afeto e menos planos
Abordagens mais puras
Sem levianas legislaturas
Que ainda carregam da velha ditadura
Um gosto de fel ao paladar!

Rodrigo Augusto Fiedler

segunda-feira, 8 de abril de 2019

"Chuvas Urbanas"

"Chuvas Urbanas"
Águas que escorrem pelos meios-fios
Molham sapatos ralados
Deixam os pés encharcados
Não evaporam nunca
Águas que caem sobre o asfalto negro
Que não absorve a abundância
Águas que não se vertem à ganância
Se concentram nas esquinas sem fluxo
E assim a chuva para a cidade
Complica o ir e vir da condução
Levam carros à contramão
Busca-se uma saída
Ficam empoçadas no chão
Impedem o passo da população
Que no fundo precisa da chuva
Para dissipar a densa poluição
Gerada pelas rodas da fortuna
Que culminam em destruição...
...
Chove, chuva, chove sem parar!
Rodrigo Augusto Fiedler

sexta-feira, 5 de abril de 2019

"Ditadura"

"Ditadura"
Canhões marchando em riste
Um porão escuro que se faz de conta que não existe
Paus de Arara, banhos gelados
Mulheres, crianças e homens pelados
Holocausto
Generais soberbos cheios de tanta impáfia
Mais truculentos que os chefões da máfia
Ordem e Progresso
E à liberdade retrocessos
Silêncio
Congressos fechados
Deputados calados
Jornais censurados
Articulistas acusados
Perseguição
E tem gente que diz que se podia ser criança
Num Brasil de milhões de pobres
Zilhões de pessoas lançadas à própria sorte
Nenhuma visão de esperança
Milagre Econômico
É contra essa gente que relevo minha ira
Conheço a história
Não permito a mentira
Não confundam a memória
De gente limpa, ativista e democrática
Com generais, capitães, majores e toda escória
Que fizeram do Problemático Brasil
Um denso funil
Que filtrou verdades e deixou legados escusos
Promovidos por autores obtusos
E por gente sem norte
Que com liberdade ou opressão só vive esperando a própria morte
...
Egoísmo

Rodrigo Augusto Fiedler

terça-feira, 2 de abril de 2019

"Clube da Esquina"

"O Clube da Esquina"

Meninos de chinelas aos pés
Curtas bermudas
Longos sonhos
E muita música
Sentados, escondidos num cantinho de Minas
Reunidos sempre na mesma esquina
Entoando temas em Sol Maior
Tinha o Beto, o Telo ainda pequeno
O Wagner e o Fernando
Não eram muitos tantos
Que seguiam o Márcio e o Lô
O herói era o Nascimento, Milton brasileiro
Artista de versos faceiros
O incomparável bituca, que vinha sorrateiro
Por trás dos montes das "Geraes"
E assim, aos poucos surgiu um clube
Numa época de bar em bar
Nada de internet ou YouTube
Versos e frases feitas de papo pro ar
Quase tudo feito de primeira
E nem tinha uma feiticeira
Para em músicas, isto tudo, transformar
Veio as homenagens às Minas
Sempre partidas do Clube da Esquina
Paisagem na janela
Cavaleiro em Ribeirão e suas descrições mais belas
Veio o Trem Azul
Que cortava Minas de Norte a Sul
E antes que eu me esqueça
O Sol na cabeça...
E todo lixo ocidental
Que o cavaleiro marginal
Fez virar o ouro que vinha das Minas Gerais
Afinal somos do Mundo
E não somos mais
Gente deixada de lado
Nosso som não era calado
Se fazia sempre mais!
E o Girassol que tinha uma cor
Certamente dourada ou um tom de amarelo
Com a participação tímida do jovem Telo
Era mais do que uma tiara ou um decor
Fazia parte da decoração
Da menina de Minas de doce coração
Do alto de seus sedosos cabelos...
E ainda tinha o Toninho
E sua guitarra virtuosa
Por lá passaram os Venturini
E muita gente poderosa
O que era pra ser uma, de amigos, reunião
Amealhou uma multidão
E foi parar na voz de Elis Regina
Que dá Ponta de Areia ao Medo de Amar
Cantou o Clube da Esquina
Sem seus membros ofuscar...
Mas de tudo ficou, talvez, uma só mensagem
Daquelas que as pessoas jamais esquecem
É que mesmo em meio ao Lixo Ocidental
"Os Sonhos não Envelhecem"

Rodrigo Augusto Fiedler

domingo, 31 de março de 2019

"Vale a Pena"

"Vale a pena"
Acredite, você vale a pena
Não é digno de pena (a outra)
É digno de um abraço
Deve estar envolvido num laço
Onde o amor é a fita colorida
Acredite, você vale a pena
Se errou, conserte a cena
É digno de Acolhimento
De muito Amor a todo momento
Um amor que emana dos céus
Acredite, você vale a pena
Não é um impostor que bondade encena
É digno de Oportunidade
De franqueza, justiça e bondade
Uma benção que não tem o seu preço
Acredite, você vale muito mais do que a pena
Não nos cabe valorar o seu preço
Devemos, sim, apoiar o recomeço
Estar junto sem qualquer distinção
Sem julgamentos, sentenças ou segregação
Devemos estar lado a lado todo momento
Independente do dia, da hora e do tempo
Por um único motivo
És ser humano e está vivo
Acredite, você vale a pena
Rodrigo Augusto Fiedler
Homenagem à pregação do Padre Fábio de Melo

"Philip K. Dick, uma resenha definitiva"

"Philip k. Dick, uma resenha definitiva!"
Por Caio Braga, cronista e poeta. Colaborador eventual das Páginas Psicoversos - Palavras em Cena!
Se tem um cara que eu posso chamar sem medo de errar de visionário é o grande Philip K. Dick, o escritor de ficção científica mais adaptado pras telas (grandes e pequenas) até o momento.
Em sua época o cara não obteve grandes retornos financeiros dos seus 44 romances e 121 contos, chegando a viver de ração de cachorro uma época, além da paranóia constante, em parte fruto das metanfetaminas que sempre gostou e turbinavam seu ritmo frenético de produção, que começou em 1955 e só parou com sua morte em 1982.
A crítica especializada o denominava como um adepto do "sci-fi soft", aquele com menor preocupação no detalhamento tecnológico (como nos livros de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, só pra citar os mais conhecidos) e mais priorizado no aspecto psicológico (e até filosófico) dos personagens e da trama em si. A maioria de dos seus protagonistas eram homens perturbados ou perdidos, moralmente dúbios, nunca heróis nem tampouco vilões, caras com relacionamentos conflituosos com as mulheres (como ele próprio, que se casou três vezes) e que lutam desesperadamente pra conseguir manter a sanidade em meio a um mundo caótico.
Temas como a paranóia estatal (que ele sempre vivenciou real ou imaginariamente), a inteligência artificial, as drogas alucinógenas, a existência de Deus e o conceito de realidade são constantes na sua vasta (e pouco publicada no Brasil) produção literária, a qual se tornou uma infindável fonte pra roteiros de filmes e séries televisivas.
E pra quem estiver afim de adentrar na sua obra indico alguns títulos ótimos e bem emblemáticos das suas idéias pra começar:
- Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas? (que deu origem ao clássico filme Blade Runner)
- Um Reflexo na Escuridão (também otimamente adaptado para o cinema como O Homem-Duplo)
- Os Três Estigmas de Palmer Eldritch
- Realidades Adaptadas (coletânea de contos famosos adaptados para o cinema como Minority Report, O Pagamento e outros)
Já no quesito das adaptações fílmicas e televisivas, afora os já citados acima, indico também a excelente série antológica do Channel 4, Philip K. Dick's Electric Dreams, no qual todos os 10 episódios variam entre bons e ótimos, além do elenco estelar e altamente competente.
E pra finalizar esse convite aos mundos fascinantes e assustadores do senhor Dick, fico com uma frase dele que resume bem sua obra e também os tempos sombrios que estamos vivendo (e que ele profeticamente já alertava sobre há 50 anos):
"A realidade é aquilo que quando você para de acreditar, não desaparece."
Caio Braga

"A Lei do Retorno"

Putz!
A tal da "Lei do Retorno"...
É interessante como para alguns religiosos de plantão, essa Lei Universal, se confunde com outra Lei: De Talião. Esta segunda previa "Olho por Olho, Dente por Dente" - em outras palavras, "Aqui se faz, aqui se paga".
Eu acredito que com Revelações Espirituais de um nível menos rústico e mais acessível, como Cristo, Gandhi, Dalai Lama e Kardec, esta(s) lei(s) caíram por terra e o que vale hoje é o Amor e seus derivados (respeito, fidelidade, lealdade, solidariedade, fraternidade, caridade, empatia, etc.). Não é possível que ainda existam pessoas que creem que Deus permite vinganças cósmicas e cármicas em tempos de Perdão.
Quando disse à Prostituta: vá e não peques mais, Ele não disse: vá, não peques e fique de olho bem aberto porque em breve tu terás que pagar ao Universo todo mal que a ele você fez... Bah! Coisa de gente tacanha, que não entendeu os propósitos destes reveladores que citei acima, entre outros, Santo Agostinho, Santo Ignácio de Loyola, Papa João Paulo 2, Madre Tereza de Calcutá, Francisco de Assis, etc...
Porra! Essa gente toda encarnou na Terra para falar de Amor e não de vingança! Não há essa de condenação para quem os segue.
O maior (na minha concepção) destes mestres todos que por aqui passaram, através da boca de seu Apóstolo Paulo nos diz:
"Condenação nenhuma há para aquele que está em Jesus"...
Acho que a turminha do "toma lá, dá cá" precisa estudar um pouco mais sobre as doutrinas consoladoras deixadas por tantos mestres que por aqui viveram!
Reflitam!


Rodrigo Augusto Fiedler