quinta-feira, 14 de março de 2019

"Espelho e Além do Espelho" (Homenagem a Paulo César Pinheiro e João Nogueira, autores das músicas homônimas ao poema!)

"Espelho e Além do Espelho"

De tanto chorar e com olhos vermelhos
Deparei com a imagem de meu pai refletida no vidro do espelho
E entendi que agora era comigo
Que não tinha mais meu grande amigo
Que me prometera ensinar a voar...
De tanto chorar e com olhos vermelhos
Deparei-me com minha própria imagem refletida no espelho
Me senti convidado à responsabilidade
A ser, de fato, um homem de verdade
Larguei a bola e fui trabalhar...
De tanto chorar e com olhos vermelhos
Reparei que não havia mais nada no espelho
Tinha que sair do conforto
Entender que meu pai estava morto
E que agora era hora de ralar
Não mais o dedo no campo sem grama
Era hora de viver dias inteiros
E cair desmaiado na cama
Pra minha família sustentar...
De tanto chorar e com olhos vermelhos
Recorri mais uma vez ao espelho
Buscando na imagem sair do escuro
Tentar retomar meu momento mais puro
Mas agora não dava mais tempo
Havia chegado o advento
De um adulto sem medo me tornar...
E mesmo assim com tantos recados e certezas, meu medo maior é o espelho se quebrar!

Professor Rodrigo Augusto Fiedler

Homenagem aos sambistas Paulo César Pinheiro e João Nogueira que imortalizaram nos anos setenta, as músicas homônimas a este poema!

"Liberdade x Libertinagem" uma Reflexão a ser retomada!

"Liberdade x Libertinagem" uma Reflexão a ser retomada!

Fico me questionando os porquês de tanta barbárie! O que aconteceu ontem em Suzano, embora gravíssimo, é só a ponta do Iceberg. Professores ganham mal, as escolas estão sucateadas, os alunos não recebem uma base amorosa, afetiva e educativa em suas casas, as famílias estão desestruturadas e, fazendo uma abordagem antropológica, no geral, o brasileiro perdeu a sensibilidade.
Não há espaço para cultura, músicas de qualidade, poesias, passeios turísticos, artes em geral.
O que se vê é uma oferta tímida de arte duvidosa, o apogeu dos bailes funk, sertanejos e forrozeiros fazendo eternas apologias ao álcool, o uso desenfreado de drogas, todo tipo de Intolerâncias e, ainda assim, há quem ache que nossas crianças merecem liberdade.
Que liberdade é essa? Engravidar com 13 anos? Fumar maconha ou usar lança-perfume aos 12 anos? Jogar jogos de games que incitam (sim) a violência? Bater, cuspir e ofender pais, mães, avós e professores?
E se caso alguém usar de corretivos mais severos, de castigos e privações, proibições, censuras de acordo com as faixas etárias, ainda corre o risco de ser "denunciado". Alega-se de tudo contra os educadores: violência, segregação, coibição de direitos infantis, de assédio moral e ético, etc...
E se caso o ocorrido em Suzano não foi suficiente para nos levar à outra reflexão, certamente estaremos condenados a reviver e retomar cenas de extremismo como a ocorrida ontem!
A sede por liberdade gerada pelo governo militar e seus abusos, gerou na geração de pais, avós e professores de hoje (a maioria entre 30 e 50 anos) uma grande confusão ideológica.
Furtou-se a habilidade de separar Liberdade de Libertinagem.
Ou refletimos nossos conceitos agora ou estaremos condenados à falência total da afetividade, empatia e respeito que deveriam reinar entre os cidadãos brasileiros, em micro ou macro espectro. Estamos decretando a passos largos, a morte absoluta da ética.
Repensemos!


Rodrigo Augusto Fiedler

quarta-feira, 13 de março de 2019

"Samba de Raiz"

"Samba de Raiz"

Não se sabe se nasceu no morro
Ou se, de fato, veio da Bahia
Às vezes aborda tristeza
Muitas vezes celebra a alegria
Tem um quê de poesia em seus versos
Compassos que jamais ficam dispersos
Pode ser batido na palma da mão
Ritmado pelo bater do coração
Virou referência em Cacique de Ramos
Vila Isabel, Padre Miguel e Madureira
Alemão, Rocinha e Mangueira
Vem de longa data, muitos anos
E já se tornou imortal
Monarco, Nogueira ou Cavaquinho
Beth, Alcione ou Zeca Pagodinho
Cartola, Cachaça, Candeia ou Jamelão
Todos com samba na palma da mão

Poetas imortais
Sambistas sensacionais
Compositores poderosos
Homens de brios maravilhosos
Aboliram com o samba em sua forma mais pura
Aquilo tudo que sobrou da escravatura
Samba não é aventura
No samba tem muito drama
Algo que se leva do terreiro pra cama
E alegra o meu tímido sonhar...

O Show tem que continuar!

Rodrigo Augusto Fiedler

terça-feira, 12 de março de 2019

"Fahrenheit 451 ou Livros Queimados"

"Fahrenheit 451"

Trocam-se compêndios de Filosofia por Bíblias ditas Sagradas
Faz-se do pensamento, um oceano de mentes fechadas
São abolidas disciplinas de Humanas
Medidas todas insanas
Mas o Hino se deve cantar!

Não se conhece o Sérgio, o Freire ou o Darcy
Em nada se parece com o sonho que conheci
de ensinar com Autonomia
Bem longe desta proposta fria
De oprimir quem já é mais que oprimido
De oferecer ao povo abstido
mais que o pão que pode ser Circo!

Fala-se em armas, segurança e muita Ética
Como se proteção transcendesse à Estética
Da família perfeita em volta da mesa de Doriana
Não se percebe que a violência, além de gerar violência
É talvez nosso maior drama
E não são com armas que devemos lutar

Onde estão os livros?
Que fim foi dado aos cadernos?
Onde estão os professores atuantes?
Por que o silêncio dos militantes?
Que fim levou a Pedagogia?
O que fizeram com a Sociologia?

Alguém ditou: coisa de Comunista!
Apologia Socialista!
"Esquerdopatas" gerando ideologias...
E a Direita de um tal de Olavo mais fria
Contando vantagens lá da Terra do Tio Sam

Escolhe-se pela truculência
Aborta-se toda ciência
Queimam-se livros em Praça Pública
Fahrenheit 451

E no fim só sobrou a Bíblia e a Damares
Todo resto subiu como fumaça aos ares
E as narinas intoxicadas
Muito antes pessimamente doutrinadas
Não sentiram o calor do fogo...

Que infelizmente não veio do inferno
Que queimou do varão ao inverno
E entorpeceu nossas mentes pacatas
Coibiu todo tipo de passeatas
Fahrenheit 451

Rodrigo Augusto Fiedler



"Milícia com M" de Alessandro Abrahão (Assistente Social)

"Milícia com M !"

Miliciano morava muro a muro
Mas morava mesmo ?
Morava e mandava
Mentiu menosprezando a mídia,
Manipulou a massa
Marginalizou Marighella
Menos milicianos !
Muitos mostraram mentiras
Muitos maltrataram meninas
Momentos mostraram mortes
Mortes mostraram manuscritos
Manuscritos mostraram mentes malditas
Muita maldade, muito mártir
Muita mente em Marte
Marielle Presente !
Mesmo a milícia muro a muro
Merecermos o Mandante.

Alessandro Abrahão
Assistente Social

Alessandro Abrahão, vulgo Kabeça, é Assistente Social dos bons, formado pela FMU-SP e atualmente faz pós-graduação em Saúde Mental e Dependência Química.

"Manicômios"

"Manicômios"

Mesmo com portas abertas
O estado de alerta, se faz constante
Os retrocessos apontam no horizonte sem fim
E não se cumpre uma promessa que não foi feita só a mim
Tratamento Ambulatorial
Humanizado, individual
Corre o risco de ser cortado
Do "louco" voltar a ser trancado
E se retoma a exclusão
Há um grito solene de "não"
Que parte dos assistentes sociais
De enfermeiros, médicos, psicólogos e muito mais
Não se deve andar de ré
E acorrentar pelos pés
Um paciente de esquizofrenia
Ou de qualquer outra psicopatia
Seres humanos antes
abandonados à própria sorte
Que nem sequer tem como opção a morte
Voltamos a gritar: não!
Reforma Antimanicomial
É sim solução ideal
Tirem os psicóticos das masmorras
Não permitam que um só morra
Comendo fezes num pátio escuro
Cercado de muros
Que aprisionam a fantasia e andam na contramão
Do que se entende por liberdade, tratamento e inclusão
Una-se a nós e grite bem alto:
Não, não e não!

Rodrigo Augusto Fiedler

Homenagem aos esforços de Profa. Dra. Regina Célia do Prado Fiedler, Psicóloga Doutorada em Psicologia Social pela PUC - SP.
Homenagem aos esforços de Alessandro Abrahão (Kabeça), Assistente Social Graduado pela FMU - SP e Pós-Graduando em Saúde Mental e Dependência Química.
Homenagem aos esforços de Dr. Sérgio de Oliva Castillo, Psicólogo, Terapeuta e Gestor da Clínica Grand House, especializada em Dependência Química e outras comorbidades na região de Mairiporã, Grande SP.

segunda-feira, 11 de março de 2019

"A Espera de um Milagre" (Resenha - por Diego Bortot)



"A Espera de um Milagre"

O adolescente George Stinney Jr. de ascendência africana foi a pessoa mais jovem condenada a pena de morte nos EUA. Na época ele tinha apenas 14 anos quando foi executado em uma cadeira elétrica, durante o julgamento até o momento de sua execução ele carregava uma bíblia nas mãos alegando sua inocência.

Ele foi acusado de matar duas meninas brancas (Betty) - 11 anos e (Mary) - 7 anos. Os corpos foram encontrados perto de sua casa onde residia com seus pais .

Na época todos jurados eram brancos, o julgamento durou 2 horas e a sentença foi dada 10 minutos depois .

Os pais da criança foram ameaçados e impedidos de lhe darem presentes no tribunal e depois expulsaram-nos da cidade.

Ele ficou na solitária (cela isolado, castigo) a 80 km da sua cidade , foi ouvido sozinho sem a presença dos seus pais e sem presença de um advogado. Ele foi eletrocutado com 5.380 volts na cabeça.
Só 70 anos depois sua inocência foi finalmente comprovada por um juiz da Carolina do Sul (EUA) a criança era inocente! Fizeram de tudo para o culpa lo na época pelo menino ser negro (Pré conceitos).

Stephen King se inspirou neste caso para fazer seu livro "The green mile " que foi levado ao cinema com a performance de Tom Hanks e Michael Clark Duncan interpretando John Coffey nome do filme " A Espera de Um Milagre".

Diego Bortot