quarta-feira, 10 de abril de 2019

"Que seja feita a Tua Vontade" (Prece)

Que seja feita a Tua Vontade

Deus da minha Salvação e do meu Amparo. Este Deus que, ainda sem nome ou ritual, me conhece e me escuta todos os dias!

Venho suplicar com fé e devoção que Tua vontade não seja o oposto da minha e que minhas atitudes, sonhos e planos não estejam em desacordo com Teus Desígnios
.
Peço que minhas carências sejam supridas, que eu tenha acesso à fartura, à abundância, ao conforto, à paz de espírito e sobretudo que Tua justiça (só Tu sabes o que e o porquê faz as coisas, permite outras e agracia sempre com tanta misericórdia) seja feita em minha vida. Peço saúde física, mental e espiritual. Peço reais condições de trabalho pleno e rogo para que Ti, acolhedor dos meus sonhos, planos e metas, decida quais deliberações são melhores para meu estágio atual dentro do meu existir.
Agradeço pelos livramentos, pela minha plena Recuperação, pela minha família e, inclusive, por fazer bem feitas, as Tuas Vontades em minha vida.

Sem sacrifícios, sem rituais, sem oferendas... Apenas com a fé, que ainda me é pequena, te entrego minhas Vontades e minha Vida para que dê a direção correta e justa para um desfecho agradável, brando, pleno e satisfatório para mim e para todos que de mim dependem, mesmo que parcialmente!

Amém!

Rodrigo Augusto Fiedler

"Pequeno Conto do Cotidiano" - Colaboração de Caio Braga

Conto/Crônica do Cotidiano, por Caio Braga

Pequeno conto do cotidiano:

- Vovô, queria lhe perguntar umas coisas... tudo bem?
- Claro, meu neto, fique à vontade.
- O senhor viveu na época da ditadura, né? Como era?
- Bom... vamos lá: eu sempre trabalhei e fui obediente, nunca fiquei questionando muito as coisas porque sempre achei que era perda de tempo, sempre segui as regras e nunca fui de ficar perguntando muito...
- Mas vovô, o senhor nunca quis saber como as coisas funcionam, como elas são de verdade?
- Não, pra mim se eu tenho o que comer e um teto tá tudo certo, Deus quis assim e eu sou grato.
- O senhor acompanhava as notícias na época? O senhor lia e tentava se inteirar do que estava acontecendo?
- Meu neto, eu tinha mais o que fazer, eu tava trabalhando e pondo comida na mesa, como sempre fiz.
- Mas o senhor sabia da violência, das mortes de amigos que eram contra o regime?
- Não, meus amigos eram como eu, ninguém ficava dando uma de intelectual, a gente fazia o que mandavam.
- Vovô, desculpe perguntar... mas o senhor nunca questionou alguma autoridade?
- Olha, meu neto... eu fui criado pra obedecer, e quando eu não entendia algo ou me mandavam ir pra igreja rezar ou eu tomava uma surra, então esse negócio de "questionar" só serve pra criar problema, melhor é ficar sem saber mesmo algumas coisas!
- Mas eu ouvi que havia muita desigualdade nesses anos, que quem estava bem continuou bem mas que quem era pobre só ficou mais pobre ainda, isso é verdade?
- Olha, meu neto... eu só sei que Deus dá pra quem merece... se o caboclo rala e num tem nada é porque alguma coisa ele fez de errado, e o problema é dele, não meu.
- E violência? Tinha nessa época, vovô?
- Nada, imagina! A gente chegava do serviço e ia dormir numa boa, num tinha enguiço não!
- Vocês tinham acesso a cultura? Música, cinema, peças de teatro?
- Ah, sim, a gente via televisão e ouvia Roberto Carlos! Quer coisa melhor?
- Ok, entendi... pra terminar então esse papo chato queria só saber se o senhor acha que o nazismo e o fascismo são de direita ou se são de esquerda.
- Vixi, essas coisas eu estudei na escola, já esqueci, meu neto... mas acho que devem ser de esquerda, meu pai sempre disse que tudo que é ruim vem dela, então acho que é isso...
- Vovô, obrigado, o senhor me deu uma aula, agora já sei que caminho seguir, qual direção devo tomar!
- De nada, meu neto! Espero ter te ajudado! Aliás, amanhã é seu aniversário, não é?
- Sim, vovô! Que legal o senhor ter lembrado! E depois dessa conversa já sei como me posicionar de agora em diante nessa bagunça toda!
- Meu neto, só desculpe a minha cabeça, mas quantos anos mesmo você vai fazer?
- Tranquilo, vovô, isso acontece! Vou fazer trinta e seis!
- Poxa, é verdade, como o tempo passa rápido!

Por Caio Braga

"The Long and Widing Road" (para Paul McCartney)

"The long and widing Road"
(Homenagem a Paul McCartney)

Estradas sinuosas que nos levam de um ponto de partida
A um esotérico infinito
Suas curvas são tantas
Nada é mais bonito

Decretam ao mesmo tempo o fim e o início
Desamarrar os compromissos que se tornaram suplício
Cortam vales e montes
Nunca mostram a linha do horizonte
Pois são estradas sem fim...


Rodrigo Augusto Fiedler

terça-feira, 9 de abril de 2019

"Abraço"

"Abraço"

O que era para seu um laço
Um encontro da alma com o coração
É por muitos considerado uma afronta
Uma forma de invasão
Não se vê o "poder terapêutico" do abraço
Fazem dele um estardalhaço
Como se que em estende os braços
Buscasse algo mais do que retribuir com atenção
O que lhe foi dado de graça

Não há mais graça no abraço
E tudo que eu faça é mais resistente do que o aço
Que blinda cabeças impuras
Mentes obscuras
Cheias de sacanagens e fantasias
Totalmente abstidas de muitas alegrias
Mentes doentes que talvez voltassem a sorrir
Se ao invés de quem abraça punir
Recebesse de ombros cálidos um forte abraço
Envolvente
Resiliente
Amigável, com cheiro e temperatura de gente

Por mais dons humanos
Menos homens insanos
Mais afeto e menos planos
Abordagens mais puras
Sem levianas legislaturas
Que ainda carregam da velha ditadura
Um gosto de fel ao paladar!

Rodrigo Augusto Fiedler

segunda-feira, 8 de abril de 2019

"Chuvas Urbanas"

"Chuvas Urbanas"
Águas que escorrem pelos meios-fios
Molham sapatos ralados
Deixam os pés encharcados
Não evaporam nunca
Águas que caem sobre o asfalto negro
Que não absorve a abundância
Águas que não se vertem à ganância
Se concentram nas esquinas sem fluxo
E assim a chuva para a cidade
Complica o ir e vir da condução
Levam carros à contramão
Busca-se uma saída
Ficam empoçadas no chão
Impedem o passo da população
Que no fundo precisa da chuva
Para dissipar a densa poluição
Gerada pelas rodas da fortuna
Que culminam em destruição...
...
Chove, chuva, chove sem parar!
Rodrigo Augusto Fiedler

sexta-feira, 5 de abril de 2019

"Ditadura"

"Ditadura"
Canhões marchando em riste
Um porão escuro que se faz de conta que não existe
Paus de Arara, banhos gelados
Mulheres, crianças e homens pelados
Holocausto
Generais soberbos cheios de tanta impáfia
Mais truculentos que os chefões da máfia
Ordem e Progresso
E à liberdade retrocessos
Silêncio
Congressos fechados
Deputados calados
Jornais censurados
Articulistas acusados
Perseguição
E tem gente que diz que se podia ser criança
Num Brasil de milhões de pobres
Zilhões de pessoas lançadas à própria sorte
Nenhuma visão de esperança
Milagre Econômico
É contra essa gente que relevo minha ira
Conheço a história
Não permito a mentira
Não confundam a memória
De gente limpa, ativista e democrática
Com generais, capitães, majores e toda escória
Que fizeram do Problemático Brasil
Um denso funil
Que filtrou verdades e deixou legados escusos
Promovidos por autores obtusos
E por gente sem norte
Que com liberdade ou opressão só vive esperando a própria morte
...
Egoísmo

Rodrigo Augusto Fiedler

terça-feira, 2 de abril de 2019

"Clube da Esquina"

"O Clube da Esquina"

Meninos de chinelas aos pés
Curtas bermudas
Longos sonhos
E muita música
Sentados, escondidos num cantinho de Minas
Reunidos sempre na mesma esquina
Entoando temas em Sol Maior
Tinha o Beto, o Telo ainda pequeno
O Wagner e o Fernando
Não eram muitos tantos
Que seguiam o Márcio e o Lô
O herói era o Nascimento, Milton brasileiro
Artista de versos faceiros
O incomparável bituca, que vinha sorrateiro
Por trás dos montes das "Geraes"
E assim, aos poucos surgiu um clube
Numa época de bar em bar
Nada de internet ou YouTube
Versos e frases feitas de papo pro ar
Quase tudo feito de primeira
E nem tinha uma feiticeira
Para em músicas, isto tudo, transformar
Veio as homenagens às Minas
Sempre partidas do Clube da Esquina
Paisagem na janela
Cavaleiro em Ribeirão e suas descrições mais belas
Veio o Trem Azul
Que cortava Minas de Norte a Sul
E antes que eu me esqueça
O Sol na cabeça...
E todo lixo ocidental
Que o cavaleiro marginal
Fez virar o ouro que vinha das Minas Gerais
Afinal somos do Mundo
E não somos mais
Gente deixada de lado
Nosso som não era calado
Se fazia sempre mais!
E o Girassol que tinha uma cor
Certamente dourada ou um tom de amarelo
Com a participação tímida do jovem Telo
Era mais do que uma tiara ou um decor
Fazia parte da decoração
Da menina de Minas de doce coração
Do alto de seus sedosos cabelos...
E ainda tinha o Toninho
E sua guitarra virtuosa
Por lá passaram os Venturini
E muita gente poderosa
O que era pra ser uma, de amigos, reunião
Amealhou uma multidão
E foi parar na voz de Elis Regina
Que dá Ponta de Areia ao Medo de Amar
Cantou o Clube da Esquina
Sem seus membros ofuscar...
Mas de tudo ficou, talvez, uma só mensagem
Daquelas que as pessoas jamais esquecem
É que mesmo em meio ao Lixo Ocidental
"Os Sonhos não Envelhecem"

Rodrigo Augusto Fiedler